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Reeducação Financeira: Por Que é Difícil Economizar?

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Você não está “sem disciplina”. A reeducação financeira envolve cérebro, hábito e ambiente — e dá para organizar isso com método.

Reeducação Financeira: Por Que é Difícil Economizar?

Se você já pensou “eu sei o que fazer, mas não consigo manter”, você está descrevendo um conflito real dentro do cérebro. Economizar não é só um cálculo; é uma disputa entre sistemas neurais que buscam recompensa imediata e áreas responsáveis por planejamento de longo prazo. A reeducação financeira, quando construída com consciência desses mecanismos, deixa de parecer uma guerra diária e passa a ser um processo possível, incremental e bem mais humano.

O ambiente moderno foi desenhado para o clique e para o agora. Promoções com tempo limitado, ofertas relâmpago, notificações e comparações sociais empilham estímulos que conversam diretamente com o sistema de recompensa. A cada estímulo, o cérebro calcula “prazer agora” versus “benefício futuro”. E o futuro, por ser distante e abstrato, costuma perder. É por isso que a reeducação financeira precisa virar hábito e estrutura — não apenas intenção.

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  1. O conflito entre impulso e planejamento
  2. Dopamina e consumo: por que o cérebro “pede” agora
  3. A “dor de pagar” e o alívio de comprar
  4. Delay discounting: o futuro vale menos
  5. Córtex pré-frontal: autocontrole tem limite
  6. Fadiga decisória: por que à noite você gasta mais
  7. Dinheiro e emoção: significado, memória e padrão
  8. Comparação social: o gatilho invisível
  9. Neuroplasticidade: hábitos financeiros são treináveis
  10. O que dizem as pesquisas
  11. Aplicação prática: roteiro de reeducação financeira
  12. Checklist rápido para hoje
  13. Leituras complementares no Curioso360
  14. Referências (com links)
  15. FAQ — dúvidas comuns
  16. Fechamento editorial

O conflito entre impulso e planejamento

A reeducação financeira começa quando você entende uma coisa simples: economizar raramente é uma decisão isolada. É uma sequência de microdecisões em momentos diferentes do dia, com níveis diferentes de energia mental. Em alguns horários, você está calmo e racional; em outros, está cansado, sob pressão, tentando se recompensar, ou só querendo “desligar a cabeça”. O cérebro não opera sempre no mesmo modo. Ele alterna prioridades conforme sono, estresse, humor e estímulo.

De um lado, existe o sistema emocional e automático, que responde rápido e busca alívio imediato. Do outro, existe o sistema de planejamento, mais lento, que calcula consequência e tenta construir longo prazo. Quando você está com energia mental baixa, o sistema rápido domina com mais facilidade. É aí que muitas promessas de controle financeiro desmoronam: não por falta de intenção, mas por limitação de recursos cognitivos.

O ponto prático é direto: a reeducação financeira melhora quando você reduz atrito para economizar e cria barreiras suaves para compras impulsivas. Em vez de depender só de força de vontade, você reorganiza o caminho das decisões. Com método, o cérebro aprende rotas previsíveis. E previsibilidade é a matéria-prima do hábito.

Pessoa analisando contas e hesitando antes de finalizar uma compra, representando o conflito interno entre impulso e planejamento

Em silêncio, o cérebro pesa “alívio agora” contra “segurança depois”. A reeducação financeira nasce quando você cria espaço entre desejo e ação.

A reeducação financeira muitas vezes começa nesse exato momento de hesitação: o impulso de clicar em “finalizar compra” entra em choque com a realidade das contas do mês. O cérebro reage rápido ao estímulo da recompensa imediata, ativando circuitos ligados à motivação, enquanto a parte responsável pelo planejamento tenta avaliar consequências futuras. Essa tensão não é fraqueza; é um reflexo natural de como fomos moldados para priorizar ganhos imediatos.

Desenvolver controle financeiro significa aprender a reconhecer esse conflito e criar pequenos intervalos conscientes entre desejo e ação. Ao pausar antes da decisão, você fortalece o córtex pré-frontal, região ligada à autorregulação e ao pensamento estratégico. Com o tempo, essa prática repetida muda padrões neurais: a escolha racional deixa de ser tão desgastante e vai ganhando um ar de “normalidade”, reduzindo a frequência de decisões impulsivas.

O objetivo não é virar uma pessoa dura com o próprio prazer. O objetivo é ensinar o cérebro a não confundir impulso com necessidade. Quando esse ajuste acontece, economizar deixa de parecer uma punição e passa a parecer uma escolha coerente com o que você quer construir.


Dopamina e consumo: por que o cérebro “pede” agora

Quando a gente fala em reeducação financeira com seriedade, o assunto inevitavelmente passa por dopamina — não como um vilão, mas como um mecanismo de motivação e busca. Dopamina não é só prazer; ela é um empurrão psicológico que faz o cérebro agir. O problema é que o mundo moderno aprendeu a acionar esse sistema com precisão: imagem bem feita, preço quebrado, sensação de vantagem, urgência, contagem regressiva, notificações e até comparação social. Cada gatilho desses faz o cérebro sentir que existe algo “importante” acontecendo agora — e o agora tem prioridade.

Isso muda a forma de encarar o impulso. Não é que você não quer economizar. Em certos momentos, o cérebro está recebendo sinais de recompensa tão fortes que o planejamento parece abstrato demais para competir. Por isso, a reeducação financeira funciona melhor quando você atua antes do pico: reduzindo gatilhos, criando um atraso curto e deixando metas mais visíveis. Não é truque mental; é uma forma de equilibrar a disputa entre recompensa imediata e segurança futura.

Na prática, vale pensar assim: quanto mais o ambiente grita “compra agora”, mais você precisa de um sistema que responda “decide depois”. Um atraso de 24 horas, uma regra clara para compras acima de determinado valor e a remoção de cartões salvos são pequenos ajustes que, somados, reduzem o poder do impulso.

Representação da dor de pagar e do alívio emocional após a compra, ilustrando o conflito psicológico no comportamento financeiro
A “dor de pagar” pode aparecer como desconforto real. Já o ato de comprar, para muita gente, vem como alívio momentâneo.

A “dor de pagar” e o alívio de comprar

Um ponto pouco discutido fora da neuroeconomia é a chamada “dor de pagar”. Em termos simples, o cérebro pode reagir ao gasto como uma perda. Só que essa dor não é constante: ela diminui quando o pagamento é invisível, distante ou emocionalmente justificado. Cartão por aproximação, compras em um clique, parcelamento e recompensas de aplicativo reduzem o atrito do pagamento. Quando o atrito cai, o impulso passa com mais facilidade. É por isso que a reeducação financeira precisa tornar o custo mais visível sem virar um processo punitivo.

Uma técnica prática é trazer o pagamento para o presente. Não significa usar dinheiro físico o tempo todo, mas criar um marcador simples: registrar o gasto no mesmo momento da compra, ou trabalhar com um limite semanal em vez de apenas mensal. Semana é mais concreta do que mês. Esse tipo de ajuste melhora controle financeiro porque reduz a sensação de “ainda tem muito tempo”, que costuma virar porta aberta para decisões impulsivas.

Outra estratégia bem eficiente é diminuir a confusão. Categorias demais viram ruído; ruído vira cansaço; cansaço vira impulso. Poucas categorias, com nomes claros, ajudam o cérebro a entender onde o dinheiro vai sem precisar “interpretar planilha”. A reeducação financeira ganha força quando o sistema é simples o suficiente para ser mantido em semanas difíceis.

Delay discounting: o futuro vale menos

O delay discounting é uma explicação forte para o “mistério” de por que economizar parece tão difícil, mesmo quando o objetivo é importante. O mecanismo é simples: recompensas futuras são emocionalmente subvalorizadas, enquanto recompensas imediatas são concretas, visíveis e intensas. Você sabe que guardar dinheiro é bom, mas o cérebro trata o futuro como algo distante — quase como se fosse “de outra pessoa”. Na prática, isso significa que a reeducação financeira precisa tornar o futuro mais real e menos abstrato.

É aqui que muita gente erra: tenta construir longo prazo apenas com intenção, sem nenhum objeto de acompanhamento. Pode ser um marcador de porcentagem semanal, um quadro simples na parede, um gráfico no bloco de notas, um lembrete fixo que apareça no dia do ritual financeiro. O cérebro responde ao que ele vê. Quanto mais visível o progresso, menor a chance de o futuro parecer uma ideia vaga que perde para uma compra imediata.

Uma abordagem ainda mais prática é “encurtar o futuro”. Em vez de pensar apenas no objetivo de 12 meses, crie objetivos de 7 dias: a semana vira uma unidade de vitória. Toda semana com uma pequena vitória reduz a distância psicológica entre hoje e o resultado, e isso sustenta melhor a reeducação financeira do que promessas grandes que dependem de motivação perfeita.


Córtex pré-frontal: autocontrole tem limite

O córtex pré-frontal é a região que ajuda você a planejar, segurar impulso, avaliar consequência e escolher o que faz sentido no longo prazo. Em termos práticos, ele é a parte do cérebro que permite dizer “não agora” sem virar uma pessoa rígida. Só que ele não é infinito. Estresse, sono ruim, excesso de decisões e fadiga mental reduzem a eficiência desse sistema. Isso explica por que a reeducação financeira falha quando você tenta resolver tudo “no braço”, especialmente nos dias em que a cabeça já está no limite.

O caminho mais inteligente é transformar partes da reeducação financeira em rotina e automatização. Quando você automatiza a economia e define regras simples, depende menos da “bateria” do pré-frontal. Em vez de vencer uma luta interna todo dia, você cria um sistema em que decisões melhores acontecem com menos esforço — porque o ambiente está desenhado para isso.

Um detalhe importante: autocontrole não é uma identidade (“eu sou disciplinado”), é um contexto (“eu me organizei para decidir bem”). Quando você troca identidade por contexto, o processo fica mais leve e mais sustentável. Você não precisa provar nada para ninguém; você só precisa reduzir as chances de o impulso mandar.

Pessoa analisando compras pelo celular à noite, ilustrando a fadiga decisória e a redução do autocontrole financeiro
À noite, o cérebro costuma estar mais cansado. Com menos energia mental, decisões impulsivas ficam mais prováveis.

Fadiga decisória: por que à noite você gasta mais

Existe um motivo bem comum para compras impulsivas aparecerem no fim do dia: fadiga decisória. Cada decisão consome energia mental, inclusive decisões pequenas que você nem percebe como “decisão”. Ao longo do dia, você escolhe o que responder, o que priorizar, o que resolver, o que adiar. Quando chega a noite, o cérebro não está apenas cansado: ele tem menos recursos para avaliar consequência e adiar recompensa. Nesse cenário, uma compra pode parecer um alívio rápido, e não um problema financeiro.

Se você quer que a reeducação financeira seja sustentável, pare de tratar autocontrole como algo que deveria funcionar igual em qualquer hora e contexto. Não funciona. O pré-frontal trabalha melhor quando você está descansado, com menos estresse e com menos sobrecarga. Então, o ajuste inteligente é decidir sobre dinheiro nos horários em que você tem mais clareza — e reduzir ao máximo decisões financeiras nos horários em que você é mais vulnerável ao impulso.

Uma estratégia simples, mas poderosa, é criar regras prévias para o horário vulnerável. Exemplo: compras não essenciais só em um dia específico da semana; nada de parcelar itens pequenos; qualquer compra acima de X exige 24 horas de espera. Regras prévias economizam energia mental porque você não negocia toda vez. A reeducação financeira cresce quando você troca debate interno por estrutura previsível.

Dinheiro e emoção: significado, memória e padrão

Dinheiro raramente é só dinheiro. Para muita gente, ele representa segurança, liberdade, controle, pertencimento. Para outras pessoas, representa privação, tensão, medo, comparação. Essas associações são aprendidas ao longo da vida e ficam registradas como memória emocional. O cérebro não guarda apenas fatos; ele guarda sensações. E quando uma situação atual lembra uma situação antiga, ele reage no automático, mesmo que racionalmente você saiba que “não precisa” gastar.

É por isso que a reeducação financeira precisa incluir uma pergunta prática: em quais momentos você gasta por impulso? Não para se julgar, mas para entender gatilhos. Às vezes é cansaço. Às vezes é frustração. Às vezes é ansiedade. Às vezes é a sensação de “merecimento” depois de um dia difícil. O consumo vira um regulador emocional rápido. Enquanto ele for o regulador principal, o controle financeiro fica instável, porque a vida real tem variações emocionais o tempo todo.

O ajuste elegante é criar recompensas alternativas que também aliviem tensão, mas não abram um rombo. Caminhada curta, banho, música, organizar um canto da casa, descanso real, uma refeição simples feita com calma. A ideia não é virar alguém sem prazer. É ensinar o cérebro que prazer e alívio não precisam obrigatoriamente ser compra. Com isso, a reeducação financeira deixa de ser “cortar” e vira “redirecionar”.

Comparação social: o gatilho invisível

A comparação social é um motor invisível do consumo. Redes sociais deixam esse motor ligado o tempo inteiro, porque mostram recortes editados de vida: viagens, compras, conquistas, estilo. Mesmo quando você sabe que aquilo é recorte, o cérebro reage. Existe uma parte emocional que sente necessidade de pertencimento, validação e status. E em certos momentos, a compra vira um atalho para essa sensação — por pouco tempo, mas com força suficiente para atrapalhar o planejamento.

A reeducação financeira fica mais sólida quando você reduz a frequência do gatilho, em vez de tentar “ser forte” sempre. Silenciar notificações de promoções, reduzir tempo em feeds que acionam desejo constante, parar de seguir perfis que te deixam ansioso ou comparativo. Não é moralismo; é gestão de estímulo. Menos estímulo, menos impulso. Menos impulso, mais espaço para o planejamento aparecer.

Um teste simples: por uma semana, observe se seu impulso de compra aumenta após ficar no feed. Se aumentar, você não precisa sair das redes; você só precisa reduzir o contexto que te empurra para decisões ruins. A reeducação financeira é muito mais eficiente quando você trata o ambiente como parte do problema — e parte da solução.


Pessoa anotando gastos no caderno, mostrando que hábitos financeiros podem ser treinados com prática e repetição
Quando você repete pequenas rotinas (registrar gastos, revisar o dia, ajustar o orçamento), o cérebro cria caminhos mais fortes — e o hábito fica mais fácil de manter.

Neuroplasticidade: hábitos financeiros são treináveis

A melhor notícia é que o cérebro muda. Neuroplasticidade é a capacidade do cérebro de fortalecer circuitos que são repetidos e enfraquecer circuitos que deixam de ser usados. Isso significa que hábitos financeiros podem ser treinados de forma gradual. No início, registrar gastos e revisar metas parece chato porque o cérebro não vê recompensa imediata clara. Mas quando você cria vitórias pequenas e sinais de progresso, o cérebro passa a associar economia com avanço — e não apenas com privação.

Para a reeducação financeira dar certo, você não precisa virar uma pessoa perfeita. Você precisa de repetição consistente. Um ritual semanal curto, de 20 minutos, feito sempre no mesmo dia e horário, já cria previsibilidade. Previsibilidade reduz improviso. E improviso é exatamente onde o impulso cresce. Com ritual, o controle financeiro deixa de depender de “como você está se sentindo” e passa a depender do sistema.

Uma forma prática de acelerar essa adaptação é reduzir o tamanho das metas no começo. Metas grandes geram desistência. Metas pequenas geram continuidade. Continuidade gera hábito. Hábito vira identidade. E quando a reeducação financeira vira identidade, economizar deixa de ser algo que você luta para fazer e passa a ser algo que você faz porque faz parte do seu padrão.

O que dizem as pesquisas

Pesquisas em economia comportamental e neuroeconomia mostram padrões consistentes: seres humanos valorizam o presente, são sensíveis a urgência, sofrem influência do ambiente e tomam decisões diferentes quando estão sob estresse. Esses achados não existem para culpar ninguém, mas para desenhar estratégias melhores. Quando você entende que o impulso é previsível, você para de brigar com ele e começa a criar estrutura para ele não mandar.

O mais importante, aqui, é a consequência prática: contexto muda decisão. Se contexto muda decisão, um plano realista de reeducação financeira não depende só de “motivação”, e sim de automação, visibilidade e barreiras suaves. Você não precisa aplicar tudo de uma vez. Mas se aplicar um pilar por semana, em um mês seu sistema já fica diferente. O que sustenta o processo é continuidade, não intensidade.

Outro detalhe pouco comentado: muita gente perde dinheiro não por falta de conhecimento, mas por excesso de decisão. Planos complexos demais viram abandono. Por isso, um método bom precisa ser simples o suficiente para sobreviver à semana em que você está cansado, atarefado e emocionalmente vulnerável.

Aplicação prática: roteiro de reeducação financeira

A seguir está um roteiro simples e aplicável. Ele não depende de motivação alta e não exige que você vire “outra pessoa”. A ideia é respeitar o cérebro como ele é: emocional, sensível a estímulos e vulnerável à fadiga. Quando você desenha o ambiente para decisões melhores, a reeducação financeira deixa de ser batalha interna e vira processo estruturado.

1) Reduza a complexidade do seu orçamento

Comece com poucas categorias. Se você cria vinte categorias, o cérebro entende como tarefa grande e confusa, e tende a abandonar. Quatro a seis categorias já dão clareza: Essencial, Casa, Lazer, Aprendizado, Reserva e uma categoria livre, se você quiser. A reeducação financeira melhora quando você reduz complexidade, porque complexidade aumenta fadiga decisória — e fadiga abre espaço para o impulso.

2) Automatize a economia antes de gastar

O passo mais eficiente para fortalecer controle financeiro é automatizar uma transferência pequena para reserva assim que o dinheiro entra. No início, o valor importa menos do que o padrão. Quando você deixa para economizar “se sobrar”, você entrega a decisão para o sistema de recompensa. A reeducação financeira se fortalece quando a economia acontece primeiro, porque você remove a negociação do caminho.

3) Crie barreiras suaves para compras impulsivas

Barreira suave é proteção inteligente: remover cartão salvo do aplicativo, ativar autenticação extra, criar regra de 24 horas para compras não essenciais, ou colocar o produto no carrinho e sair do site. Esse pequeno atraso reduz a intensidade do pico de motivação imediata e dá tempo para o pré-frontal entrar. A reeducação financeira funciona melhor quando o impulso perde velocidade.

4) Faça o custo aparecer

Registrar o gasto no momento da compra e usar limite semanal tornam o custo mais concreto. Mês é grande demais; semana é palpável. Você não precisa de planilha complexa. Você precisa de clareza. A reeducação financeira melhora quando o cérebro consegue sentir o impacto de uma decisão sem precisar calcular “no escuro”.

5) Troque culpa por ajuste

Se você escorregou, não quebre o processo. Ajuste o ambiente. Pergunte: qual foi o gatilho? Cansaço, ansiedade, comparação, recompensa? A culpa destrói energia mental e aumenta a chance de novo impulso. Ajuste constrói estrutura. A reeducação financeira é um sistema, não um julgamento.

6) Ritual semanal de 20 minutos

Escolha um dia fixo e faça um ritual curto: olhar categorias, ajustar limites, ver metas e planejar a semana. Sempre no mesmo horário. Ritual reduz improviso. E improviso é onde o consumo impulsivo cresce. A reeducação financeira precisa de continuidade mais do que de intensidade.

Vídeo complementar com explicação prática sobre sistema de recompensa, autocontrole e por que decisões impulsivas aparecem quando estamos cansados ou sob pressão.

Checklist rápido para hoje

  • Defina 4–6 categorias no máximo.
  • Automatize uma transferência pequena para reserva.
  • Ative “24 horas de espera” para compras não essenciais.
  • Remova o cartão salvo de pelo menos 1 app de compras.
  • Registre os gastos do dia em 3 minutos.
  • Marque um dia fixo para revisão semanal (20 minutos).

Quer reforçar o lado mental do processo?

Se sua energia mental está baixa, seu autocontrole cai. Isso é humano. Aqui no Curioso360 você encontra guias para reorganizar foco, estresse e hábitos — e isso conversa diretamente com reeducação financeira.

Explorar conteúdos do Curioso360

Para sustentar a reeducação financeira sem depender de motivação alta, vale fortalecer o terreno mental onde as decisões acontecem. Estes artigos complementares conectam com autocontrole, energia mental e comportamento.

Referências (com links)

A base deste artigo combina neurociência, economia comportamental e neuroeconomia. A lista abaixo é uma porta de entrada para aprofundar o tema, mantendo um olhar prático para reeducação financeira e decisões do dia a dia.

FAQ — perguntas frequentes

1) Por que a reeducação financeira é tão difícil mesmo quando eu entendo o que fazer?

Porque entender não é o mesmo que sustentar comportamento. A reeducação financeira depende de autocontrole, e autocontrole depende de energia mental, gatilhos e contexto. Quando você está cansado, estressado ou exposto a estímulos constantes, o sistema de recompensa tende a dominar e o planejamento perde força. O caminho mais eficaz é reduzir atrito para economizar e criar barreiras suaves para compras impulsivas.

2) Como a dopamina influencia o hábito de gastar por impulso?

A dopamina está ligada à expectativa de recompensa. Muitas vezes, o cérebro reage mais à antecipação do que ao ato de comprar. Por isso, vitrines, promoções e notificações podem criar impulso antes da razão entrar. Na reeducação financeira, técnicas como 24 horas de espera, remover cartões salvos e reduzir gatilhos digitais desaceleram o ciclo e aumentam a chance de decisão consciente.

3) O que é delay discounting e por que atrapalha economizar?

É a tendência de valorizar menos recompensas futuras. O futuro parece distante para o cérebro, enquanto uma compra agora é concreta e emocionalmente forte. A reeducação financeira melhora quando você torna o futuro visível, com metas claras, acompanhamento semanal e sinais de progresso no ambiente, reduzindo a distância psicológica entre hoje e o objetivo.

4) Existe um melhor horário para tomar decisões financeiras?

Sim. Quando você está descansado, o córtex pré-frontal trabalha melhor e as decisões tendem a ser mais equilibradas. À noite, com fadiga decisória acumulada, o impulso ganha espaço. Por isso, é inteligente revisar orçamento e ajustar metas em horários de maior clareza. Reeducação financeira também é sobre escolher o momento certo de decidir.

5) Como manter a reeducação financeira sem virar uma pessoa rígida?

Estruturando o sistema em vez de endurecer a vida. Regras simples, automatização e categorias claras reduzem a sensação de punição. Você pode manter lazer e conforto, desde que com limites definidos previamente. A reeducação financeira funciona melhor quando você troca culpa por ajuste: identifica gatilhos, modifica o ambiente e mantém consistência com metas realistas.

6) Neuroplasticidade realmente ajuda em hábitos financeiros?

Sim. A repetição consistente fortalece circuitos ligados a planejamento e autocontrole. Registrar gastos, revisar metas semanalmente e automatizar economia treinam o cérebro para preferir decisões mais estáveis. Com o tempo, a reeducação financeira deixa de exigir esforço intenso e vira um padrão mais automático.

7) Qual é o primeiro passo mais simples para começar hoje?

Defina poucas categorias e automatize uma transferência pequena para reserva. Em paralelo, implemente uma barreira suave: 24 horas de espera para compras não essenciais. Esses dois passos já mudam a dinâmica da reeducação financeira porque mexem no ambiente e reduzem decisões no momento do impulso.

8) Como evitar que compras virem resposta para estresse e cansaço?

Crie alternativas de recompensa que aliviem tensão: caminhada, banho, música, descanso real, organização de um espaço ou uma conversa leve. O objetivo é reduzir dependência do consumo como regulador emocional. Quando você cuida da energia mental, o controle financeiro melhora, e a reeducação financeira fica mais estável ao longo das semanas.

Fechamento editorial

A reeducação financeira não é um teste de pureza moral, nem uma prova de força. Ela é uma construção prática que respeita o cérebro humano: um cérebro que valoriza o presente, se cansa, reage a gatilhos e aprende por repetição. Quando você reduz estímulos, cria regras prévias, automatiza o essencial e torna metas visíveis, você não está se enganando. Você está desenhando um ambiente onde decisões melhores ficam mais fáceis de manter.

Se você seguir o roteiro com consistência, o processo deixa de ser uma montanha-russa. E quando a consistência aparece, o cérebro começa a associar economia com progresso, não com privação. É assim que a reeducação financeira vira rotina: pequena, clara, repetida e sustentada por um sistema que trabalha junto com você.

Escrito por Valdeci Cardoso

Criador do Curioso360. Estudo neurociência para transformar evidências em hábitos práticos, com linguagem clara e aplicável ao dia a dia.




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